‘Terrorismo de Estado’: parlamentar critica naturalização de mortes de crianças e adolescentes em ações policiais

por Damião Rodrigues — publicado 24/09/2019 18h02, última modificação 24/09/2019 18h02
Colaboradores: Fotos: Olenildo Nascimento
Tibério Limeira (PSB) lamentou a morte de mais uma criança em meio à intervenção da Polícia Militar, no Rio de Janeiro

Na manhã desta terça-feira (24), o vereador Tibério Limeira (PSB) usou a tribuna da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) para alertar a sociedade sobre o que chamou de ‘Terrorismo de Estado’, que, segundo ele, está sendo perpetrado no Brasil. O parlamentar ilustrou sua ideia destacando a morte de mais uma criança em meio à intervenção da Polícia Militar, no Rio de Janeiro.

“O tema principal do meu pronunciamento é um assunto que toma conta do nosso país. Não estamos alheios ao que acontece no mundo. Precisamos debater a violência de Estado que está sendo perpetrada em nosso país, tratar sobre esse verdeiro ‘Terrorismo de Estado’, que tenta naturalizar as mortes de crianças e adolescentes pela ação da Polícia Militar”, lamentou o vereador.

Tibério Limeira fez questão de afirmar que a morte da menina Ághata Felix, no Rio de Janeiro, em meio à ação da Polícia Militar (PM), precisa ser debatida e repudiada. Segundo ele, “não dá para sair matando todo mundo”. “É fundamental lamentar essa perda. Essa é uma morte simbólica do ‘Terrorismo de Estado’. Várias crianças e adolescentes já morreram no Rio de Janeiro em ações de combate à violência. Aqui na Paraíba existe o combate ao tráfico, à violência, mas não se vê essa matança institucionalizada. Se não nos posicionarmos, isso vai se alastrar pelo Brasil”, declarou.

O parlamentar ressaltou a necessidade de se posicionar contra o que chamou de naturalização das mortes das crianças e jovens da periferia do país. Segundo ele, essa naturalização está sendo fortalecida pela política apresentada pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, e pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que afirmou que iria mirar na cabeça para exterminar os criminosos no Estado. “Na política desses gestores tenta-se exterminar a criminalidade matando crianças e jovens dos bairros menos favorecidos”, criticou.

Tibério Limeira defendeu que o combate à violência e à criminalidade deve ser efetivado através de ações políticas que garantam educação, saúde e fomentem a geração de emprego e renda para a população. “Nossa população precisa de políticas sociais que garantam seus direitos, que defendam cada cidadão. Ficam aqui meus sentimentos à família de Ághata Felix, que investia na sua educação para torná-la uma cidadã atuante, que acabou perdendo a vida em uma operação militar. Não dá para culpar o policial, nem o Batalhão, mas sim um Governo que gera o ‘Terrorismo de Estado’”, comentou.

Apartes

A vereadora Sandra Marrocos (PSB) disse que Ághata Felix foi exterminada e afirmou que, desde o primeiro Mapa da Violência, divulgado em 2000, três fenômenos sociais foram evidenciados: o extermínio da juventude pobre e negra do meio popular; a proliferação de nova droga, o crack; e a inserção do crime organizado nas regiões Norte e Nordeste. “Nada foi feito para evitar essa situação. Precisamos discutir essa questão da violência e da criminalidade de forma mais preventiva, e não tentar combater violência com mais violência’, arguiu. Já o vereador Marcos Henriques (PT) destacou que o Governo Federal retira investimentos das universidades para financiar o ‘Pacote de Segurança’ do ministro Sérgio Moro, “que não apresenta medidas preventivas e não traz nenhuma alternativa para evitar a criminalidade”.

Para os vereadores Carlão (DC) e João Almeida (Solidariedade), a morte de Ághata Felix foi uma fatalidade. “A criança estava passando de kombi em meio ao fogo cruzado. Já foi evidenciada a diminuição nos latrocínios e nos homicídios com essa política, que garante ao cidadão o direito de defender sua vida. Muitos estão sendo salvos. Infelizmente, Ágatha morreu”, comentou Carlão. “Ao mesmo tempo em que morreu esse anjo, morreram dois policiais, e não houve destaque na mídia. A kombi que a menina estava passou em meio a uma operação policial. Não podemos culpar quem está trabalhando em nossa defesa”, alertou João Almeida.